sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sem olhar a quem




Final de semana retrasado rolou o Twb Twowheelsbrazil em SP. No sábado corri para deixar a minha moto pronta, posso dizer com tranquilidade que no evento todo não havia outra HD com o tipo de customização da minha, uma verdadeira Café Racer.

Infelizmente tive problemas na hora de montar o escape, um prisioneiro espanou e mesmo com muito esforço e a ajuda dos amigos, tive que desistir.

Daí chegou a galera de Curitiba, todos muito entusiasmados com o evento que aconteceria no dia seguinte, larguei mão da moto e fui me divertir com a galera. Comemos nosso churras de todo sábado, tomamos nosso Chopp e, ao fim do dia, o pessoal partiu para o hotel.

Exceto por um dos amigos, que foi surpreendido com o rompimento da correia da sua Sportster. Prematuro sem dúvida para uma moto com pouco mais de 20k rodados, mas facilmente justificável pela suspensão rebaixada que forçou a correia contra o protetor, deixando marcas profundas em ambas as peças.

Pois bem, olhando para o camarada (que eu acabava de conhecer, diga-se de passagem) naquela condição, fiz a única coisa cabível: Ofereci a correia da minha moto para que ele pudesse não só participar do evento no dia seguinte mas, principalmente, voltar a Curitiba rodando.

E assim foi feito, mais uma vez com a ajuda dos amigos presentes na garagem RDN, fizemos a transfusão e deixamos minha moto guardada em um canto.

Eu sei que muitas pessoas questionaram a minha atitude, outros tantos admiraram, um chegou a elogiar mas, na boa, eu não saberia fazer diferente.

Quem me conhece sabe: Não consigo ver um irmão parado na beira da estrada e seguir meu caminho. Minhas filhas já estão acostumadas a aguardar no acostamento enquanto o pai delas abre o porta-malas e vai com suas ferramentas tentar tirar alguém de uma roubada no meio do nada.

Alguns tem a desculpa do perigo, do medo do desconhecido, da pressa ou de acharem que não conhecem mecânica ou elétrica.

Eu não consigo me enganar: Sei que que se não parar, não vou dormir. Ao mesmo tempo não nutro falsas esperanças: Poucas vezes fui ajudado nos meus momentos de perrengue na beira da estrada.

Mas guardo com carinho as lembranças dos dias em que tive a oportunidade de ajudar. Seja emprestando uma peça, apertando um parafuso, colando uma lanterna com fita isolante (lembra dessa, David Vianna?), cedendo um pouco de combustível ou simplesmente fazendo companhia até a chegada do resgate.

Acho que nesse ponto é que eu sou mais Old School, que eu trago mais forte o espírito das estradas que tenho trilhado mundo afora sobre uma moto: Na certeza de que não são laços de sangue que nos unem quando estamos sobre nossas amadas duas rodas, que existe sim uma irmandade mais ampla do que as nossas amizades mais próximas.

E acima de tudo a certeza de que não estou sozinho lá fora. E que enquanto eu puder, nenhum outro irmão motociclista estará desamparado.

Ah, sim. A foto é do pacote que chegou hoje, com a velha correia e um presente. Mas o maior valor, esse não coube na caixa.

Ride to Live, Live to Ride.

Niner


sexta-feira, 28 de outubro de 2011